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Programa de adulto-criança em São Paulo

Semana passada eu fui com as crianças assistir ao espetáculo do Circo Amarillo no Sesc Pinheiros. A apresentação é de dia, de graça, no hall do prédio. Pensei: nada como uns malabares no fim de tarde pra descontrair, né? Enganei-me!!!

Circo Amarillo, no Sesc Pinheiros

Circo Amarillo, no Sesc Pinheiros

O espetáculo me deixou de queixo caído. Fiz tudo que a gente tem que fazer em circo: ri, sonhei, gritei, respondi perguntas, bati palmas e quase, quase mesmo, chorei. As emoções são muitas!

Os quatro integrantes são absurdamente expressivos. As piruetas e acrobacias são dignas de Jogos Olímpicos. O figurino e a trilha sonora são sensacionais. Gostei dos malabarismos, do fogo, dos monociclos, mas meu número preferido, disparado, foi a corda bamba.

É daqueles programas que quem tem criança tem que ir. Quem não tem, tem que ir também. E se tiver vergonha de ir sem pirralho, pede alguma criança emprestada. No final, tenho certeza que vai virar o tio preferido por ter levado ela.

Mas vai rápido: a última apresentação é neste domingo. E sexta e sábado tem até trapézio.

Retaliação?

Juro que isso foi a primeira coisa que passou na minha cabeça quando recebi dois e-mails, um da Cecília e outro do André, cada um falando que criou seu blog. Como assim? Eu já tenho idade pra isso???
Claro que não, mas não tenho idade para várias outras coisas também e faço mesmo assim…

Então, entrei lá já pensando em ler histórias “bonitas” sobre a vida doméstica, sob a ótica dos Monstrinhos. Uma espécie de vingança não-intencional, embora potencialmente bombástica.

Na verdade, o Deco já tinha começado com esse papo:
- Mãe, a gente pode inventar coisas e colocar na internet?
- Pode, mas tem que ver se vai ser legal. Que tipo de coisas?
- Histórias que eu inventar.

Quase chorei! Mas, na hora de montar o blog, ele preferiu jogar algum futebol maluco na web. Acabou montando na casa do pai e me informando por e-mail.

Minha surpresa, então, foi com o e-mail da Cecília. Corri pra ver o tipo de histórias dela. Felizmente, são só histórias de bichos, tema preferido da pequena.

Assim sendo, eu, blogueira relapsa, passo a ser mãe de blogueiros. Felizmente, ainda inocentes. Quero ver na adolescência. Afe!

Mais um

Cecília, há algum tempo, me pede um hamster. Como eu não queria um novo bicho, disse que só quando ela tivesse dinheiro para comprar – ela não é muito boa em guardar a longo prazo. Acabou que um presente de dia das crianças de uma tia viabilizou a compra.

Até que ele é simpático. O nome dele é Quindim. Mas como é um hamster chinês, escreve-se Kinjjem. Coisas de Cecília…

André no Morumbi

Como todos sabem, o jogo de ontem foi uma merda. Mas ir com criança no estádio rende risadas até quando o time perde. Vou listar algumas pérolas do André:

- Mãe, hoje a gente vai ter sorte. Olha quanto urubu no canto do campo!!! (apontando os quero-queros)

- Coooooooorre Adrianooooooo!!!

- PUTA QUE O PARIU!!!! (Com o jogo parado, logo depois de eu dizer que estava liberado para falar palavrão)

- A torcida do Flamengo desanimou, né?

- Não quero mais ver o jogo não, mãe. Só vou ficar aqui mostrando a língua pra torcida do São Paulo.

- O Pet entrou? E ainda dá tempo de ganhar?? Eba!!!

- Mãe, sério, vamos embora. Não quero ver meu time perder.

- A gente vai ser rebaixado?

- Mãe, se o Flamengo tivesse ganhado tu não precisava nem me dar presente de aniversário. Mas agora não adianta, tu tá me devendo.

Luiza, meu amor

Na verdade, Luiza, amor do Deco.

Luiza Grejo é o nome dela. Ele conheceu ela aos seis anos de idade, em Florianópolis. Ela e ele estudavam na mesma turma, no Sesc. Os dois fazem aniversário em outubro, portanto tiveram a mesma festinha – era uma festa mensal. A verdade é que Luiza era um doce.

Nessa festinha ela deu a ele um carrinho Hot Wheels. Ele deu a ela um espremidinho. O espremidinho era um bicho de pelúcia de uma promoção de suco, acho que o dele era uma uva. Ele tinha ganhado esse bicho, na verdade fruta, havia um mês. Já era o brinquedo preferido, dormia agarrado com ele. E foi esse o presente que ela ganhou.
- Assim ela pode dormir com ele e lembrar de mim, sempre.

Um dia, a revelação: ele amava Luiza. E ela correspondia. Mas os dois sabiam que namorar era coisa de gente grande, então só iam se namorar quando crescecem.

O ano acabou e, com ele, a convivência: André veio para São Paulo, Luiza foi para Chapecó.

No ano passado, quando fomos de carro passar um final de semana em Santa Catarina, ele lembrou da Luiza. E chorou, de soluçar, de Registro até Curitiba. Dizia que doía por dentro saber que nunca mais ia ver ela, já que os dois foram para tão longe um do outro e nem endereço deixaram.

De lá pra cá, mesmo sabendo da distância e da ausência de contato, tem dado provas de amor sincero. Sempre fala dela, diz pra todo mundo que ela ainda é sua namorada. Faz desenhos. Acorda suspirando. E diz que por mais bonita que qualquer menina seja, nunca é tão bonita quanto ela.

O duro disso tudo é não saber se ela, lá em Chapecó, também lembra dele. Se o espremidinho já foi dado naquelas limpezas anuais de quarto. Se ela sonha. Se.

Coloco essas palavras aqui não só para deixar registrado esse lado bem romântico – praticamente emo – do meu filho. Mas na esperança de um dia a mãe da Luiza colocar o nome dela no Google e achar. E se Luiza ainda souber quem é André, por favor mãe da Luiza, deixa um recado para a gente.

As pequenas surpresas são as melhores

Hoje as crianças entraram pela primeira vez sozinhas no supermercado, escolheram o que quiseram, pegaram fila no caixa e pagaram com o dinheiro delas. A grana era curtíssima, eu achava que não daria pra comprar nada muito bacana, mas eles quiseram ir mesmo assim. Aliás, com contados R$ 5,10, passaram três dias insistindo muito, muito, muito. “Qualquer coisinha serve”, me convenceram.

Ok, mas o combinado era irmos na hora do passeio da Lucy. Eu ficaria fora com ela, e eles teriam que fazer tudo sozinhos. Ficaram um tanto ressabiados, mas toparam. “Eu faço as contas”, arriscou uma corajosa Cecília.

E assim foi. Fiquei com a Lucy – que não estava num dia muito comportado – na porta até eles voltarem, sorrisos e sacolinha. “Vou jogar o papel fora”, disse a menina. Pedi pra ver: dois pacotes de salgadinhos, um bombom, um Tic Tac, R$ 5,87. Ué…

“A gente ia deixar coisa lá, mas a moça que estava atrás da gente disse que pagava o resto”. “É, mãe, a gente não pediu, ela disse que pagava, ninguém pediu nada”. “E nós agradecemos”. Não sei se foi só bondade ou um tanto de pressa em não esperar o gerente ir até o caixa estornar a balinha, mas agradeço também à alma caridosa. Pode até aparecer alguém e falar que aí o caráter educativo foi pro beleléu, que tinha que ter responsabilidade, gastar o que tinha. Até concordo, mas gostei muito mais dessa demosntração de generosidade.

Aliás, generosidade foi o que não faltou. Sabe o bombom único da lista? Era pra mim.

Já em casa, depois de colocar a Lucy no lugar dela, encontro os dois, mãozinhas pra trás, dizendo que queriam me falar uma coisa muito séria:
“A gente comprou os salgadinhos que a gente queria, mas a gente também queria te dar uma surpresa. Então a gente comprou esse bombom”. “Não é um presente muito grande, mas tem todo nosso coração”.

Tem como não chorar???

Pacotinhos de educação

Eu sei, ninguém disse que ia ser fácil e falar isso é chover no molhado, mas educar filhos é difícil pacas. Educar em todos os sentidos. Dizer oi, tchau, por favor, obrigado, não sair abrindo geladeira alheia, não interromper quando as pessoas estão conversando… E também a educação formal. Matemática, português, educação sexual…

Opa! Sexo? Éééééééééééééééééé. Todo mundo vai passar por isso. E se descabelar.

Nessas horas eu penso: por que não fazem pacotinhos de educação? Tipo tempero, não tem um aí que é de amor? Então. Assim. Você vai no supermercado e compra. Boas maneiras para ogros, boas maneiras básico, boas maneiras avançado, boas maneiras inacreditável. Português para iniciantes, português para jornalistas, português básico, e aí por diante.

Olha, por mim podia até ser como a febre do momento, tipo álbum de figurinhas. Já imaginou as rodas na pracinha?

- Ei, alguém tem matemática do segundo ano repetida para trocar?

- Ai, nem me fale. Meu filho já repetiu três vezes de ano por falta dessa, até já botei anúncio na internet.

Devia sim ter um facilitador de vida para mães. Enquanto uma boa alma vivente não inventa isso, só me resta ficar aqui, repetindo regras, corrigindo tarefas, estudando junto e respondendo perguntas cabeludas com a calma de uma lady criada na suíça.

Por 5 minutos

Saio do banho e encontro um SMS no celular:

“O Zico aqui na Band e tu está onde???”

Hein??? Liguei na hora para o amigão de trabalho que viu o Galinho e lembrou de mim.

“Como assim????”

“Vem logo que a entrevista está acabando”.

Corri no armário pegar o primeiro Manto que o André teve, que nem serve mais nele. Ele acorda e pergunta pra quê.

- Deco, o Zico está ali no trabalho da mamãe.

- O VERDADEIRO????

Saí abalada e consegui pegar três mini-engarrafamentos no caminho que eu sempre faço, sempre livre. Cheguei e ele não estava mais. Entrevista acabada, entrou no carro e foi para outro canto dar outra entrevista. Juro que uma lágrima subiu, encharcou o olho, ameaçou sair, mas voltou para o lugar. Perdi o Zico.

Na hora do almoço, volto pra casa, Manto em uma mão, fracasso na outra.

- E aí, mãe, falou com ele?

- Não, ele saiu um pouquinho antes de eu chegar.

Ele vem, me abraça, enfia o nariz no meu umbigo e diz:

- Sinto muito…

Eu também, Deco. Eu também.

Heine-kai

Olhando o fotolog onde a ressaca começou, vi um post que lembrou do tem bucólico em 2006, quando eu passava as manhãs em uma casa com vista para o mar, filhos e cachorros. À noite, um céu estrelado a perder de vista antecedia um nascer do sol estupendo, que enchia a janela do meu quarto de calor. Naquele contexto, acabei criando hai-kais bem bonitinhos.

Em São Paulo não tem mar, nem sol nascente, nem grama e as estrelas são escassas. O lado contemplativo da vida, confesso, ficou mais difícil. O número de amigos a me visitar também caiu – não sei se pela falta de praia, do balcão da cozinha ou do torresmo na despensa.

Assim sendo, me rendo à contemplação de boteco. E tendo trocado a Original pela verdinha holandesa, presto uma homenagem-trocadilho a esta fiel companheira. Sabendo que meus amigos/leitores também são adeptos da literatura alcoolizada, convido a todos para que, no calor das ideias geniais, compartilhem e divulguem seus heine-kais:

Verde, suada
Me chama e convence
Sempre gelada.

Blogando do celular

Descobri que é possível blogar do celular – e fiquei bem feliz. Mas acho que não vai dar para escrever os extensos posts que eu gosto tanto. A descobrir…

Por ora a única certeza é a de que digitar com dois dedos é muito mais difícil e demorado do que com dez. Grunf!

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