E eis que chegou o dia esperado em que a Cecília ganhou o primeiro salto. É esse aí da foto, uma sapatilha com um salto não muito alto e bem grosso, pra ter certeza que o pé não será imediatamente virado na primeira saltitada dela.
Desde sempre, sempre mesmo, o salto é, para ela, um objeto de desejo ardente. E nunca, nunca mesmo, foi liberado (exceto por um certo tamanco que foi pedido em carta ao Papai Noel e que passou por muitas, muitas regras).
E vou dizer que é muito legal ver a expressão do rosto de uma menina de 11 anos ganhando o primeiro salto. Ele ganha cores diferentes, as bochechas ficam mais rosas, os olhos mais brilhantes e o sorriso mais largo. E ela deixa, imediatamente de ser uma criança, pra ser alguém, para ser quase grande por já ter salto.
Acho isso especial. Tudo começou por uma questão de saúde – acho que uma menina não pode ser criança se estiver preocupada em correr sem quebrar o pé. Mas foi virando também brincadeira de fantasia e imaginação. Descobri isso quando fui usar um salto meu e ele tinha sido quebrado por uma menina que usou ele escondida – assim como eu usei o da minha mãe. No final, serviu para fazer uma passagem, um convite a um novo comportamento, um prêmio por uma nova responsabilidade.
Ela fez 11 anos em abril e ainda estava sem presente. Juro que não tinha pensado em dar esse presente, foi totalmente sem querer. Mas estamos, as duas, muito felizes.


