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Heine-kai

Olhando o fotolog onde a ressaca começou, vi um post que lembrou do tem bucólico em 2006, quando eu passava as manhãs em uma casa com vista para o mar, filhos e cachorros. À noite, um céu estrelado a perder de vista antecedia um nascer do sol estupendo, que enchia a janela do meu quarto de calor. Naquele contexto, acabei criando hai-kais bem bonitinhos.

Em São Paulo não tem mar, nem sol nascente, nem grama e as estrelas são escassas. O lado contemplativo da vida, confesso, ficou mais difícil. O número de amigos a me visitar também caiu – não sei se pela falta de praia, do balcão da cozinha ou do torresmo na despensa.

Assim sendo, me rendo à contemplação de boteco. E tendo trocado a Original pela verdinha holandesa, presto uma homenagem-trocadilho a esta fiel companheira. Sabendo que meus amigos/leitores também são adeptos da literatura alcoolizada, convido a todos para que, no calor das ideias geniais, compartilhem e divulguem seus heine-kais:

Verde, suada
Me chama e convence
Sempre gelada.

Blogando do celular

Descobri que é possível blogar do celular – e fiquei bem feliz. Mas acho que não vai dar para escrever os extensos posts que eu gosto tanto. A descobrir…

Por ora a única certeza é a de que digitar com dois dedos é muito mais difícil e demorado do que com dez. Grunf!

Coração peludo

Eu lembro quando foi que a mágica se desfez, quando meu coração realmente foi estraçalhado. De todos os clichês que tomaram conta do meu corpo. O nó na garganta que não deixava passar nada para dentro ou para fora; as lágrimas que não cessavam nunca; a pedra que tomou o lugar do meu estômago; e o vazio que se instalou no meu peito.

Lembro que o nó, as lágrimas e a pedra duraram mais de uma semana. Mas o vazio, esse nunca foi preenchido.

Pensando nisso, não é difícil imaginar porque o conto do personagem que guardou o próprio coração em uma caixa para nunca mais se arrebentar de amor seja inspiração para tantas histórias.

Quanto ao meu, já juntei os pedaços, usei várias colas, costurei e vedei as frestas com durex. Alguns dizem que ele está inacessível e que criou pelos, como o do conto. Já eu, acho apenas que cansou de esperar e desfaleceu.

Procura-se a Preguiça

Preguiça é nossa filhotinha. Uma vira-lata que achávamos que era preta mas revelou-se de todas as cores. Um doce, extremamente carinhosa e brincalhona.

Pois bem, Preguiça sumiu.

Domingo, dia 6 de dezembro, ela foi na garagem comer uma carninha (domingo tem almoço especial, né?). Deixei a porta de entrada aberta para quando ela terminasse. Mas ela acabou indo para a rua. Demorei 20 minutos para perceber.

Andamos por toda a redondeza e não a encontramos. Nem ela nem nada que denunciasse a passagem dela. Espalhamos fotos com telefone pelo bairro. Hoje é quinta-feira e ninguém ligou. É como se Preguiça nunca tivesse existido.

Pois bem. Se alguém viu esse doce de cachorrinha por aí, por favor entre em contato. Ela sumiu na região do Estádio do Morumbi, entre a rua José Janarelli e a Francisco Morato.

Gente, a Preguiça é muito amada e tem feito muita falta na nossa vida.

Malèna de São Bernardo

Quando li a história Polanskis do ABC no blog Trabalho Sujo e vi o vídeo sobre a “puta da Uniban” (já removido do YouTube pelo usuário) lembrei na hora de Malèna, de Giuseppe Tornatore, filmado em 2000.

 

Já faz tempo que vi o filme, mais de cinco anos ao menos. Malèna, a incrivelmente bela Monica Bellucci, é moradora de uma pequena cidade italiana. O ano é 1940 e a Itália entra na II Guerra. Logo, Malèna, belíssima a ponto de ser invejada pelas outras mulheres da cidade, fica sozinha após seu marido ser enviado para a frente de batalha. Digo inveja porque só ela explica uma carta anônima parar na casa do pai de Malèna dando conta de atividades sexuais imorais. O pai não a aceita mais e o primeiro desgosto é vê-lo morrer sem fazerem as pazes. Mas essa parte não lembra o episódio a Uniban, passemos a outro.

Um triste dia, Malèna recebe a notícia que seu marido morreu na Guerra. Órfã e viúva, ela terá que dar conta da vida sozinha em uma cidade muito pequena, no meio da guerra. Em pouco tempo descobre que as mulheres não a ajudarão e que os homens podem até fazer alguns favores, mas em troca de sexo.

Nessa parte do filme, falei: “como são nojentos os homens”.

Com fome, ela sucumbe. E puta que é puta faz do ofício sua sobrevivência, certo? Então quando a cidade é tomada pela Alemanha ela continua a vender sexo a quem tem dinheiro, ou seja, aos nazistas. Mas conhecemos a História e sabemos que os alemães não ficarão lá para sempre. O que acontece quando eles saem e ela, ainda belíssima, fica, agora publicamente prostituta?

É apedrejada, chutada, espancada, tem as roupas estraçalhadas em uma das cenas mais moralmente violentas que já vi nas telas. Pelas mulheres. Nessa hora, ouvi de meu companheiro: “quem é nojento mesmo?”.
Exceto pelos detalhes que levaram Malèna à prostituição de fato, acho que até agora descrevi bem o que se leu na primeira notícia sobre a aluna que foi hostilizada por usar minissaia. Naquela hora ainda sem nome, ainda sem rosto, era só uma aluna que foi com um vestido curto demais para o gosto de seus colegas e saiu escoltada pela polícia aos gritos de homens e mulheres após ameaças de estupro. Desde então há uma coleção de infâmias: a polícia dizendo que a roupa era insinuante demais, um programa vespertino discutindo se o comprimento de saia justificou ou não a hostilidade, a Uniban emitindo nota oficial falando que não houve ameaça de estupro uma vez que não houve contato físico. E hoje, a maior de todas, a que me fez escrever esse texto. A expulsão de Geisy Arruda da universidade.
No dia da ocorrência dos fatos a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura chegando inclusive a posar para fotos”, diz o comunicado, em uma forma maior e mais prolixa de dizer a palavra “puta”, unindo-se ao coro dos outros estudantes.

Expulsa. Tal como Malèna, após ser violentada duas vezes, uma pelos homens, outra pelas mulheres. A personagem italiana, ao menos, teve sua história contada sob a ótica carinhosa e romântica de um adolescente apaixonado, em um roteiro bem escrito e armado. Geisy ainda vê a sua infeliz paródia se desenrolar, sem nenhum poder para modificar uma linha, apagar um parágrafo ou amenizar algum enfoque. Nada de romantismo. Nada de carinho. Quando muito, conta com a perplexidade de alguns, como a do MEC e a da Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

Malèna, por fim, conseguiu voltar para a cidade, de cabeça erguida. Seu marido, afinal, não havia morrido e, ao chegar em casa e não encontrá-la, soube por uma carta do sempre apaixonado adolescente, do que houve. Ele foi buscá-la, protegê-la.

Já me perguntei algumas vezes se, caso Geisy tivesse um namorado na Uniban, alguém levantaria a voz para ela, apontaria o dedo e a chamaria de puta. Provavelmente falariam, sim, mas pelas costas. Ela seria a puta, ele seria o corno, mas o casal permaneceria lá, até a formatura.

Com essa questão respondida na minha cabeça, ainda não decidi o que é mais triste: uma mulher ser hostilizada pelas roupas “inadequadas” ou ela só conseguir levar a vida normalmente se tiver um macho a seu lado.

Como “perder” seus filhos em uma lição

O que duas crianças fazem quando a mãe e o pai estão de plantão no mesmo domingo?

1 – Jogam Batman Lego no PS3;
2 – Vão em uma oficina de desenho das Princesas do Mar em uma livraria bacanuda;
3 – Comem no McDonald’s;
4 – Jogam mais Batman Lego no PS3.

Ouvi dizer que tem dois monstrinhos torcendo pra rolar plantão em todos os domingos da vida deles.

Brincou de pega-pega? Beba Gatorade!

Hora de tirar a poeira do blog. Como não faço mais parte do Criançada e a globo.com não deixa eu acessar o Monstrinhos original, vou passar a escrever sobre os pequenos por aqui também. Aliás, em breve vou começar a trazer meus posts dos outros endereços para cá. Mas por enquanto…

Bem, lembro quando eu era criança na industrial, florida e chuvosa Joinville, que chegava por meio de propagandas e revistinhas as ações bem legais que se faziam em escolas da distante São Paulo. E, óbvio, ficava morrendo de inveja. Aquelas crianças deixavam as salas de aula e passavam o dia fazendo brincadeiras. No final, levavam para casa brindes e gostosuras. Enquanto isso, o melhor que a gente tinha era cachorro-quente e refrigerante no Dia das Crianças.

Agora eu estou na enlouquecida, cinza e chuvosa São Paulo, com filhos em escola. E adivinhem? Eles deixaram a sala de aula, fizeram atividades bem legais e, no final, levaram brindes e gostosuras para casa.

A ação era para incentivar a prática de esportes. O produto era o Gatorade.

Agora eu tenho um belíssimo folder em mãos. Nele está escrito que meus filhos, que não são atletas e sim crianças que brincam nas aulas de esportes, devem sempre tomar Gatorade nas atividades para terem uma reidratação adequada.

Está escrito que água é um problema; ela não oferece energia, a falta de sabor dificulta o consumo e ela não repõe o sódio perdido com o suor – aquele mesmo, o tal que aparece em doses cavalares em qualquer produto industrializado.

E se eu for natureba e preferir um suco de frutas, devo ter muito cuidado, afinal mesmo os não adoçados artificialmente têm alto teor de açúcar. O açúcar, vejam vocês, dificulta a absorção e ainda pesa no estômago, prejudicando a disposição dos meus anjinhos.

Agora o Gatorade, além de oferecer energia, ter sabores deliciosos, conter minerais e não pesar no estômago, tem menos açúcar que os sucos de frutas e menos sódio que um copo de leite – aquele mesmo sódio que é um problema a água não ter. Mas o aviso no asterisco no pé da página diz que essa comparação é meramente informativa, o Gatorade não substitui esses assimentos em uma dieta equilibrada.

Esse folder me mostrou o quão relapsa eu tenho sido em oferecer apenas água e suco para as crianças. Mas elas já estão espertas. Falaram que no outro folheto que veio junto está escrito tudo que eu sempre falo sobre alimentação saudável – e está mesmo – então o que está escrito nesse também deve ser bom, eu é que não sabia. Mas que eu não me preocupe: elas vão me ajudar no supermercado a encontrar o Gatorade. Cecília achou o de melancia o mais gostoso e o André gostou mais do de laranja.

Condicionada a sentir medo

Peguemos uma situação hipotética e analisemos o desenrolar dela em dois ambientes diferentes. Vejamos, uma mulher caminhando sozinha, um pouco antes das 19h, já escuro, e com uma névoa de chuva que faz a rua ficar mais vazia.

- Em Florianópolis:
Ela anda aproveitando o sereno no rosto.

- Em São Paulo:
Ela anda mais rápido, olhando para o chão mas atenta a tudo o que passa à sua volta.

Eis que vem um carro no outro lado da rua, com um jovem entre 20 e 30 anos dentro, e pára. Ele fica olhando para ela e ela…

- Em Florianópolis:
..fica olhando também, meio alheia.

- Em São Paulo:
…pega o celular meio que não olhando para ele e fingindo que alguém ligou.

E aí, depois que ela passa, o carro dá a volta e vai andando mais devagar do lado dela. Ela…

- Em Florianópolis:
…pára e pergunta se ele quer alguma informação.

- Em São Paulo:
…dá meia-volta e vai correndo para o camarada da segurança privada de uma casa que ela viu 30 metros antes.

Sim, eu passei por isso por aqui. E agi dessa maneira insana, tudo para acabar descobrindo que o cara do carro era da mesma segurança privada. Ok, trabalho lá, moro acolá, passarei sempre por aqui, boa noite a todos.

Hoje, andando pela casa, vi um cara na laje que fica atrás da oficina do outro lado da rua olhando para cá. Novamente a atitude hostil de olhar para lá e fingir que falava no celular – que falava dele, obviamente. E o cara? Nem aí, continou olhando. Ou não, ou olhava para outro lugar. Ou é cego. Ou é um tremendo cara-de-pau mesmo. Até brinquei no twitter que tiraria uma foto dele e colocaria no flickr, mas não, né?

Enfim, não sei se é a realidade ou se é mais a fama da cidade, mas a verdade é que eu estou sim me sentindo insegura por estar sozinha. Parece que ouço minha mãe o tempo todo, no meu ouvido: “se tu ainda fosse casada…”.

E aí eu me pergunto: para onde eu me mudei que uma mulher sozinha não pode andar pela rua ou ficar em casa sem companhia? Afeganistão???

Não sei como a vida vai ficar por aqui, mas espero, do fundo do coração, perder esse medo com o passar do tempo. Pelo menos um pouco dele, o suficiente para eu me sentir numa boa, na minha casa.

Pelas ruas de São Paulo

Então. A mudança foi no Carnaval, nada mais justo que as próximas notícias fossem somente na Páscoa, certo? Então estou só três dias atrasada. E nessa quaresma aconteceu coisa pra cacete. Tanta que acho que vou contar aos pouquinhos, bem aos pouquinhos.

Então voltamos à Quarta-feira de Cinzas, quando eu finalmente consegui chegar em São Paulo com dois filhos, um trabalho e roupas para 15 dias, que era o tempo que eu levaria – no máximo – para ter as chaves do apê já encaminhado. Ah, sim: morando de favor na casa do cunhado. Olha, está aí um camarada que vai para o céu.

A primeira impressão que eu tive aqui foi de que paulista dirige muito devagar. Muito devagar mesmo. E são extremamente educados no trânsito. É só dar sinal, que fulano dá passagem. Foi lindo dirigir na semana pós-Carnaval. E no sábado. E no domingo. Já na segunda…

Impressionante. Toda a generosidade do paulista some quando quatro carros ficam aglomerados. Buzina, fechada e cara feia. Foi tudo que me recebeu na segunda-feira, a despeito das minhas lágrimas.

Aliás, as lágrimas pararam há 10 dias, quando eu finalmente consegui alcançar a meta de pegar o carro somente para ir em lugares já conhecidos e, mesmo assim, só uma vez por semana. Me perdi tão feio nessa cidade que nem os queridos nordestinos de posto de gasolina puderam me ajudar. Quer dizer, até poderiam, se tivesse algum posto no caminho…

Durante minhas peripécias no trânsito, elegi o Google Maps como meu pastor. E olha, não recomendo. A volta que ele fez eu dar para chegar do meu trabalho à escola dos pequenos é inexplicável. Já ouviram falar em vielas? Pois é. Isso que o caminho é praticamente uma reta. Sugestão: ache no Google Maps onde você quer ir e depois se guie pelas placas. Isso funciona muito bem em São Paulo. Exceto no Morumbi, onde as placas estão sempre escondidas nas copas das árvores. Não, não estou sugerindo podar as árvores. Quem sabe baixar as placas? Ou não. Deixa nego se perder, ficar com raiva, voltar menos vezes… Assim também resolve problema de trânsito, né?

Aliás, melhor definição do Morumbi para quem é de Floripa: é o Jardim Anchieta, só que elevado à décima potência. Tanto em ostentação das casas quanto em potencial de voltas e voltas no mesmo lugar.

Porque eu me perco tanto? Bem, eu tenho uma teoria. Quando mudei de Joinville para Floripa, demorou muito para eu conseguir me orientar na cidade. Joinville é uma cidade plana e feita de retas. Floripa é acidentada e curva. Meu maior mico foi ter ido da rodoviária ao shopping Beiramar pela Beira-Mar. Com o tempo, consegui me localizar na cidade. E, mesmo que eu não fizesse a mínima idéia de onde eu estivesse, era seguir reto. Uma hora a cidade acabava, ou na ponte, ou no mar. São Paulo não é assim. Não acaba. E os lugares que se encontra antes do não-fim podem ser assustadores. Estar dirigindo a esmo, sem reconhecer prédios, ruas, nomes, pessoas, sem saber sequer se está indo para o norte ou para o sul, sem ninguém na calçada… É uma sensação tão grande de desalento que sim, eu, mulherzinha pra caralho, choro.

Para encerrar, uma breve história para mostrar que não sou exagerada. O dia em que eu tive que achar um cartório no Butantã, no meio de umas ruas movimentadas, eu levei só 15 minutos e quatro ruas erradas para chegar lá. Na saída, já no caminho certo para o destino seguinte, orgulhosa, falei para as crianças:
- Viram? E eu nem me perdi tanto assim!!!
Cecília, a finesse em pessoinha, respondeu prontamente:
- É, né mãe? Mas a gente ainda nem almoçou. Espera até a noite pra gente ver.

220v para 110v

Depois de 13 anos, deu de Floripa galera, estou de partida. Acho válido, então, fazer uma retrospectiva:

1996
- Cheguei em 2 de março de 96. No apê alugado tinha um rádio e uma tv velha que só pegava a Globo. Domingo, arrumando minhas 10 caixas, não entendi porque o Faustão tocava Brasília Amarela em tom fúnebre. Descobri rápido.
- Primeira festa: calourarte, uma recepção na Ufsc. Lá eu reconheci a Nathan – veterana que eu tinha visto na aula de rádio -, que me apresentou ao Botelho, que me contou como foi ouvir a notícia de quando tinha passado no vestibular – era o segundo Diógenes da lista.
- Gosto de lembrar que minha turma tinha muita mulher e por isso os veteranos davam muita festa e eu ia em todas. Assim, todas. Minha turma não ia, para desespero dos marmanjos. Em três meses eu conhecia todos os alunos mais velhos – e até ex-alunos. Me formei e não sei o nome de todos na minha turma.
- Mesmo morando em Floripa, estudando o que eu queria e indo em muitas festinhas, não curtia ficar aqui. Quem me convenceu a não desistir no primeiro semestre foi o Finco.
- Depois, a Paula, estudante de engenharia, foi morar comigo. Logo minha casa virou ponto de encontro de calouros da engenharia.
- Também tinha o futiba de terça à noite, que eu marcava para a galera do jornalismo.
- Os dois itens anteriores combinados geraram noites inesquecíveis – e inenarráveis – no Itambé.
- Depois eu comecei a namorar e virei uma moça séria (mais momentos inenarráveis…)
- Morei também com a Marcinha e a Carise. E não dá pra esquecer do Akilesh, que “morava” com a gente de sexta a segunda.

1997
- Entra a primeira turma de calouros depois de mim. Surpresa: tem gente bem mais legal do que muita gente da minha turma.
- Encerrando 96 e indo para 97, começo mal, morando numa pensão escrota cuja única vantagem era ser separada por apenas um muro da casa do meu namorado.
- Em julho, fui acampar um mês na sala da Megui, que estava num encontro de estudantes de comunicação em algum lugar sórdido na América Latina. Naquele tempo ela era só uma veterana muito legal, com quem eu me dava muito bem e tinha um coração do tamanho de um bonde. Acabou que eu fiquei lá por uns 3 ou 4 meses. Ela ficou bem feliz quando eu saí.
- Entrei no curso de história da Udesc e conheci mais gente maluca. Bem, tinha alguns malucos que eu já conhecia.
- Mais para o final do ano fui para o meu apê, lindo apê, e logo estava sublocando o segundo quarto para a Greice (0nde andará Greice?)

1998
- Entra uma turma muito bizarra no curso. Assim, muito bizarra. Hoje eu dia eu conheço uns ou outros, e eles até são bem legais. Mas eles eram freaks. Sim, Upiara, freak.
- Nesse ano eu comecei a andar com a Samanta, que era da minha turma. Essa foi a grata surpresa daquele ano.
- Em setembro (eu acho) meu namorado se formou junto com os últimos dinossauros da Ufsc. A foto daquela turma deve estar na parede da casa do Dalton, o secretário do curso a quem eu devo muito.

1999
- Definitivamente sem saco nenhum para o curso e agradecendo horrores ao Locatelli por não der deixado eu atrasar em um ano a minha formatura.
- A diversão era jogar war ou 1914 na casa dos outros.
- Lembra da Megui ali em cima? Então, topou passar 3 meses no Pará comigo fazendo o Trabalho de Conclusão de Curso. Lá nos descobrimos almas gêmeas.
- Na volta do Pará eu noivei. É, o mesmo namorado de 96, 97 e 98. Tem muita gente aí que se puxar na memória vai lembrar da festa-dilúvio.

2000
- Começo janeiro me formando. Fevereiro sem trabalho. Março entrando no Guia Floripa.
- Desisti completamente da História.
- Engravidei em julho, descobri em agosto. O pessoal do Guia não ficou muito contente, mas descobriu rapidinho que, em termos de trabalho, não fez grandes diferenças.
- Em outubro eu “casei”: fui no aeroporto buscar o noivo que estava voltando das paraolimpíadas da Austrália (ele foi cobrir, é bom deixar isso claro) e levei ele pra casa.

2001
- Vamos direto para abril, quando nasceu a Cecília. Eu nunca, nunca, nunca, nunca, nunca mais fui a mesma – e não foi só porque eu tive parto normal não.
- Curiosidade: quem cobriu minha licença-maternidade foi a Camille Reis, isso, aquela do Estúdio SC.
- Tudo que eu posso dizer daqui para diante é papo-fralda, como quando a Cecília apredeu a se esconder atrás da fralda de pano, aos 10 meses, na viagem para o Rio de Janeiro. Vou poupá-los.
- Mentira, vou falar de bebês: Cecília foi para a Dinâmica Baby.
- Foi o final de ano da Joaquina: ia todas as manhãs pra lá com a bebê.

2002
- Em fevereiro, estou grávida de novo. O pessoal do Guia Floripa gostou menos ainda. Mas eu fiquei feliz pra cacete.
- Update 1: entrei numa lista de discussão para grávidas e conheci um monte de mãe maluca como eu. Sou muito amiga de várias até hoje.
- Separei pela primeira vez. Isso mesmo. Com um bebê. Grávida. Separada. Voltamos em 5 ou 6 meses.
- Cecília saiu da Dinâmica e foi para o Flor do Campus.
- Três meses depois, saiu de lá e foi para o Arcângelo.
- Em outubro, nasce o André. Sabe tudo o que eu aprendi com a Cecília? Não se aplica.
- Mais papo fralda.
- Fui morar com a sogra, que tinha recém-separado, e aluguei meu apê para os chefes.
- Foi o final de ano do LIC: piscina com os dois era mais fácil.

2003
- Minha vida é toda crianças. Não por necessidade, por gostar mesmo. Amava ir ao parque de manhã, amava fazer papinhas, amava trocar fraldas…
- Mentira, minha vida era o Guia também.
- Vida social: zero.
- Exceto pelas reuniões no Arcângelo, agora que tinha dois bebês lá.
- Não, acho que foi nesse ano que conheci a Érica e o Rico. Aqui minha memória começa a falhar, juro. Mas foi tão legal, mas tão legal, que parece que a gente se conhecia havia séculos. Eles tinha a Celina, que se deu muito bem com as crianças. Foi um tal de se juntar para beber e conversar enquanto elas brincavam que durou muito tempo.

2004
- Fiz uma reforma linda no meu apê. Voltei pra lá em junho ou julho, não lembro.
- Minha vida continua toda crianças.
- Final do ano o casamento, com aquele noivo, que foi aquele namorado, acabou. Tá, ninguém levou muito a sério.

2005
- Deixei o Guia Floripa e fui para o finado clicNessa.
- Cecília e André saíram do Arcângelo e foram para a Sarapiquá.
- Cecília e André saíram do Sarapiquá e foram para a Casa Amarela.
- Reatei antigas amizades do curso, como a Ana e a Gi. Me aproximei da Karla, que eu conhecia muito superficialmente do Esporte do DC. Conheci, também, muitas outras pessoas do DC.

2006
- O clicNessa foi substituído pelo hagah.
- Mudei daquele apê lindão para o Rio Tavares. Longe que doía. Lindo que acalmava.
- Passava as manhãs na praia e trabalhava à tarde.
- O então chefe Fabiano saiu da redação e começou os períodos turbulentos.
- Em outubro, aumentou a carga horária. Nada de praia à tarde.

2007
- No hagah, arrebanhei uma galera legalzinha, minha “banda”: Rodrigo, Leo, Beto, Elisa e Felipe – o estagiário.
- Ex vai embora para Sampa.
- Cometi erros profissionais inacreditáveis.
- Independente deles – e bota independente disso – as turbulências aumentaram.
- Cecília e André saem da Casa Amarela e vão para o Sesc.
- Vida social continua zero, exceto por encontros na casa do Rio Tavares, conhecido algum tempo como Bar da Boa.
- Entra o dc.com, mais turbulências.
- Sangue novo no clic: Michele, Maykon, Fê.
- Festa de Ano-Novo baita lá em casa.

2008
- Começa bem, com promoção para o clicRBS.
- Primeira contratação do hagah que eu participo só como ouvinte: Dani. Depois, nem mais como ouvinte.
- Update 2: conheci a Verde Velma Gica que veio de Blumenau para Florianópolis e daqui para Sampa. Pecinha bem importante nessa história toda, com lavagem cerebral e tals. Logo serei vizinha dela.
- Em algum momento desse ano a Érica e o Rico vão para Vitória e, puxa, eles fazem muita falta.
- Cecília sai do Sesc e vai para o Imaculada. Deco segue no Sesc.
- Mais uma contratação para o clic: Alexandre. Fica menos do que devia, é verdade, mas mais do que eu esperava.
- Com a saída dele, a Sabrina, que era da minha turma e tinha ido para Porto Alegre quando eu entrei no clic, volta.
- Festinhas no Rio Tavares ficam mais escassas. E eu fico sem saco de ir em outras festinhas. Floripa começa a ficar muito, mas muito chata mesmo.

2009
- É ano para outra retrospectiva.

Fora de brincadeira, é isso mesmo: 2009 já pertence a Sampa. E agora sabe-se lá quando eu vou sentar para fazer uma retrospectiva meia-boca como essa.

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