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Malèna de São Bernardo

Quando li a história Polanskis do ABC no blog Trabalho Sujo e vi o vídeo sobre a “puta da Uniban” (já removido do YouTube pelo usuário) lembrei na hora de Malèna, de Giuseppe Tornatore, filmado em 2000.

 

Já faz tempo que vi o filme, mais de cinco anos ao menos. Malèna, a incrivelmente bela Monica Bellucci, é moradora de uma pequena cidade italiana. O ano é 1940 e a Itália entra na II Guerra. Logo, Malèna, belíssima a ponto de ser invejada pelas outras mulheres da cidade, fica sozinha após seu marido ser enviado para a frente de batalha. Digo inveja porque só ela explica uma carta anônima parar na casa do pai de Malèna dando conta de atividades sexuais imorais. O pai não a aceita mais e o primeiro desgosto é vê-lo morrer sem fazerem as pazes. Mas essa parte não lembra o episódio a Uniban, passemos a outro.

Um triste dia, Malèna recebe a notícia que seu marido morreu na Guerra. Órfã e viúva, ela terá que dar conta da vida sozinha em uma cidade muito pequena, no meio da guerra. Em pouco tempo descobre que as mulheres não a ajudarão e que os homens podem até fazer alguns favores, mas em troca de sexo.

Nessa parte do filme, falei: “como são nojentos os homens”.

Com fome, ela sucumbe. E puta que é puta faz do ofício sua sobrevivência, certo? Então quando a cidade é tomada pela Alemanha ela continua a vender sexo a quem tem dinheiro, ou seja, aos nazistas. Mas conhecemos a História e sabemos que os alemães não ficarão lá para sempre. O que acontece quando eles saem e ela, ainda belíssima, fica, agora publicamente prostituta?

É apedrejada, chutada, espancada, tem as roupas estraçalhadas em uma das cenas mais moralmente violentas que já vi nas telas. Pelas mulheres. Nessa hora, ouvi de meu companheiro: “quem é nojento mesmo?”.
Exceto pelos detalhes que levaram Malèna à prostituição de fato, acho que até agora descrevi bem o que se leu na primeira notícia sobre a aluna que foi hostilizada por usar minissaia. Naquela hora ainda sem nome, ainda sem rosto, era só uma aluna que foi com um vestido curto demais para o gosto de seus colegas e saiu escoltada pela polícia aos gritos de homens e mulheres após ameaças de estupro. Desde então há uma coleção de infâmias: a polícia dizendo que a roupa era insinuante demais, um programa vespertino discutindo se o comprimento de saia justificou ou não a hostilidade, a Uniban emitindo nota oficial falando que não houve ameaça de estupro uma vez que não houve contato físico. E hoje, a maior de todas, a que me fez escrever esse texto. A expulsão de Geisy Arruda da universidade.
No dia da ocorrência dos fatos a aluna fez um percurso maior que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura chegando inclusive a posar para fotos”, diz o comunicado, em uma forma maior e mais prolixa de dizer a palavra “puta”, unindo-se ao coro dos outros estudantes.

Expulsa. Tal como Malèna, após ser violentada duas vezes, uma pelos homens, outra pelas mulheres. A personagem italiana, ao menos, teve sua história contada sob a ótica carinhosa e romântica de um adolescente apaixonado, em um roteiro bem escrito e armado. Geisy ainda vê a sua infeliz paródia se desenrolar, sem nenhum poder para modificar uma linha, apagar um parágrafo ou amenizar algum enfoque. Nada de romantismo. Nada de carinho. Quando muito, conta com a perplexidade de alguns, como a do MEC e a da Ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.

Malèna, por fim, conseguiu voltar para a cidade, de cabeça erguida. Seu marido, afinal, não havia morrido e, ao chegar em casa e não encontrá-la, soube por uma carta do sempre apaixonado adolescente, do que houve. Ele foi buscá-la, protegê-la.

Já me perguntei algumas vezes se, caso Geisy tivesse um namorado na Uniban, alguém levantaria a voz para ela, apontaria o dedo e a chamaria de puta. Provavelmente falariam, sim, mas pelas costas. Ela seria a puta, ele seria o corno, mas o casal permaneceria lá, até a formatura.

Com essa questão respondida na minha cabeça, ainda não decidi o que é mais triste: uma mulher ser hostilizada pelas roupas “inadequadas” ou ela só conseguir levar a vida normalmente se tiver um macho a seu lado.

Finalmente uma notícia boa

Os Trapalhões ganham uma coleção com 39 filmes.

Incrível como a marca está diretamente vinculada ao Didi, não? Tanto que Atrapalhando a Swat, em que ele não atua, não está na lista.

Da lista, os que me marcaram mais foram As Minas do Rei Salomão, O Mágico de Oróz, Os Trapalhões na Serra Pelada (aliás, as imagens do ouro e do trabalho enlameado da Serra Pelada fazem parte da minha infância), O Cangaceiro Trapalhão e Ali Babá e os Quarenta Ladrões. E o meu top 1 é Os Saltimbancos Trapalhões, forever.

Muitos dos filmes que eu gosto foram feitos quando eu era bem pequena mesmo, até mesmo antes de eu nascer. Agradeço à Sessão de Férias que dedicava as quartas-feiras aos filmes da trupe.

E sim, eu chorei tanto quando o Zacarias morreu quanto quando foi a vez do Mussum.

A Pequena Loja dos Horrores, de 1960

Fiz uma descoberta bem feliz esses dias. Eu odeio promoções de locadora de DVD, sempre que eu chego nunca tem mais nada de interessante. Mas alguém teve a feliz idéia de comprar filmes bacanas lá e deixar em sebos. Assim sendo, abocanhei, entre outra coisas, um Pequena Loja dos Hororres, versão de 1960, por dez pilinhas. Fiquei tão emocionada de encontrar essa versão que nem me toquei de ver se era wide screen. Não era. Grunf!

O que eu acho mais bacana em filmes antigos são as capinhas. Às vezes elas são originais, casos de faroestes. Outras vezes elas colocam o famoso do filme em primeiro plano. E quem é o famoso aqui? Jack Nicholson!!! Embora ele apareça no melhor estilo Jack Torrance olhando para você, ele faz uma ponta mínima, digna de ser o penúltimo nome a aparecer nos créditos. O que ele faz? Um louco, claro. Um inesquecível louco, como a outra ponta que fez em 1969, bem mais célebre, em Easy Rider. Ficou curioso? Veja a participação de Nicholson em A Pequena Loja dos Horrores:

Enfim, o “astro” da película dirigida por Roger Corman e escrita Charles Griffith é Jonathan Haze. Ele é um atrapalhado funcionário de uma floricultura pertecente a um árabe, apaixonada pela doce Audrey, que também trabalha lá, e filho de uma hipocondríaca. Ele começa a cultivar uma estranha planta, a quem batiza de Audrey Junior. Ele tenta ao mesmo tempo manter o emprego, conquistar Audrey, cuidar de sua mãe e agradar sua estranha criatura. O objetivo é ser gentil e cordial com todo mundo. Um homem simples, sem vícios, com amor no coração e muitas idéias de jerico, que faria qualquer coisa pelos outros, até mesmo [música de suspens] matar.

O filme é uma pérola em se tratando de humor negro, desde a senhora que adentra a floricultura todos os dias com um novo funeral para remeter flores até o comissário de polícia falando acidentes acontecem ao se referir à morte de um de seus filhos. Também tem um grande tom teatral – pudera, as gravações duraram dois dias! E, na minha humilde opinião, todo consultório dentário deveria ter a cena de Haze e Nicholson em looping eterno. Assim, só para quebrar o gelo.

Ao que tudo indica, essa versão virou cult. Tanto que em 1986 ela foi refilmada por Frank Oz, em musical. Essa segunda versão teve a participação de vários grandes nomes da comédia americana: Steve Martin, James Belushi, John Candy e Bill Murray. O papel principal fica para Rick Moranis, de Querida, Encolhi as Crianças.

Voltando à versão original, como o filme inteiro, o final é nonsense, com cenas absurdas. Mas, e daí? É só diversão mesmo…

Wall-E – O dia em que os anos 80 salvaram a Terra

Misture referências cult, anos 80, degradação ambiental, obesidade e uma história de amor improvável em um filme com pouquíssimos diálogos e me diga: qual a chance disso ser um infantil? Pois é, não sei se Wall-E vai agradar a (todas) as crianças, mas os pais vão pirar na historinha.

A sinopse é simples: um robozinho inspirado em E.T. vive apenas com sua barata de estimação (lógico que elas estão lá no final dos tempos…) no planeta Terra limpando toda a sujeira deixada pelos humanos. Estes estão num cruzeiro espacial maneirão, esperando o planeta estar habitável de novo para voltar. Aí uma robozinha inspirada no iMac chega e descobre – segundo dados do sistema – que já é possível retornar. É só? Claro que não, não vou estragar surpresa de ninguém.

Hora do trailer oficial, ao som de Aquarela do Brasil:

Isso tudo, claro, se passa daqui a muitos e muitos anos. Mas e os anos 80? Vai saber porque diabos, mas eles estão lá com o atari, o VHS (!!!), o cubo mágico e o próprio Wall-E. Anos 80 também no merchandising: já na entrada ganhamos um álbum e quatro figurinhas – sim, vou ter que comprar as outras 196.

As referências, claro, não se restringem a essa década. O Wall-E, vejam vocês, é vidradão em Hello, Dolly! Em duas passagens a referência é 2001 – Uma Odisséia no Espaço. E vou dizer que as imagens impressionistas nos créditos finais são um desbunde.

Pausa para o momento “deixa eu mostrar como meu filho é foda”.
“Mãe, olha os girassóis. São do Van Dog, né? Eu gosto mais dele, mas a Cecília gosta mais do Renoir”.
Podemos continuar.

Tá, mas e as crianças normais? Ok, admito, esse caldo todo é superambicioso e tinha grandes chances de dar errado. Mas, caramba, é Pixar!!! E só por isso você já paga para entrar no cinema. Tem cenas bem engraçadas em que os pequenos se esbaldam de rir. Além disso, meio-ambiente está na pauta de discussão de todas as escolas, elas vão ficar sensibilizadas com um planeta negro. E desde Shrek elas estão acostumadas com amores improváveis.

Se a preocupação é a ausência de diálogos, esqueça. Os sons de todas as máquinas e robôs são tão fantásticos que quando um humano fala você até sente desconforto. A concepção visual é bárbara, é uma experiência deliciosa e eu muito recomendo cinema e não só esperar sair em DVD.

Amores Perros

Recentemente fui em uma mostra de arte na qual havia um painel com duas fotos. Na primeira, um mendigo dormia na rua, com as roupas sujas e as calças rasgadas, aparecendo as nádegas. Na outra um cachorro sarnento também dormia na calçada. Perguntei para a minha filha de sete anos de idade com qual dos dois ela se preocupava e ela foi categórica:
- Com o cachorro. Tadinho dele, né mãe?

Antes que a chame de sem coração, pense: de quem você tem pena em Amores Perros – Amores Brutos numa péssima tradução. Dos cachorros sendo atiçados para a rinha ou dos meio-irmãos largados com uma pistola?

A semelhança entre humanos e cães permeia a obra. O cachorro abandonado na rodoviária, o cão de luxo com a perna amputada e, é claro, o cão que acabou transformado em assassino de outros cães. Só que enquanto os bichos não constumam dizer a quem amam e o motivo, apenas demonstram amor incondicional, esses três nos contam suas histórias.

São histórias que se entrecruzam de uma maneira casual – marca do diretor Alejando Gonzáles Iñarritu que foi apresentada nessa sua primeira obra e continuada em 21 Gramas e Babel. Como cenário, um México de diferenças sociais e impunidade, onde um assassino está solto para o velório do irmão, onde empresários são assassinados à luz do dia, onde a televisão mostra a beleza da mulher latina, um encanto. As histórias partem de uma escolha de vida e terminam na conclusão dessa escolha. Histórias que mostram que o amor nem sempre é bom:

Seguro que alguna vez el destino te a cambiado la vida…
Si tu historia acabo bien, exlicalo en el canal de “amores”.

Si acabó mal, explicaló en “perros”

O filme levou Bafta de filme estrangeiro e prêmio da crítica em Cannes. Não levou Oscar nem Globo de Ouro em estrangeiro, era o mesmo ano de O Tigre e o Dragão. Como legado, mostrou Gael García Bernal para o mundo.

Voltando ao cão e ao mendigo, a menos que você não tenha coração, você não se importou com as brigas de cachorro ou com o cãozinho abandonado no buraco.

Notícias de filmes no IMDB

Achei hoje, procurando informações para uma uma maledicência: quando você entra numa ficha de algum filme no IMDB, tem duas notícias recentes sobre ele.

Clicando em todas você cai numa página com o início de todas as notícias indexadas, com links para dentro do próprio IMDB em caso de citações de filmes, atores e outros insumos de filmes e links para a matéria original e para as publicações.

E aí se você entrar na ficha de um ator, trambém traz matérias indexadas. E se você clicar no link das últimas matérias que do site fornecedor, entra nas últimas dele no IMDB, ou seja, tudo relacionado a filmes, atores etc.

Não há nenhum lugar no site explicando como funciona, se é parceria com as publicações – People, wenn.com e DigitalSpy na maioria – ou se é um agregador como o Google.

De qualquer forma, achei bem bacana.

O Malvado Porém Bem-Humorado, O Malvado e O Muito Malvado Mesmo

Pus fim a uma das infindáveis falhas do meu caráter e assisti à Era Uma Vez no Oeste. Em original, no italiano C’era una volta il West. Italiano porque o diretor, Sergio Leone, é italiano. E Sergio Leone, italiano, escreveu e dirigiu clássicos do faroeste americano, sempre magistralmente musicados por Ennio Morriconi.

O filme, claro, conta com homens maus. Alguns muito maus, outros só maus o suficiente. Alguns maus de maneira que você odeie, outros maus mas que cativam sua simpatia. E um desses maus não pisca, não fala, não teme, apenas toca gaita. E o nome dele é Charles Bronson e ele é o cara.

Não, ele não é o cara, desculpe. O cara mesmo é o Henry Fonda, mas ele é mau demais, aí você não consegue torcer muito por ele. Porque você sabe, em bang-bang você tem que torcer por alguém. E agora que eu descobri (obrigada, imdb!) que ele sempre tinha sido o mocinho, ele ficou mais mau ainda.

E entre eles tem outro mau, o Jason Robards, mas ele é divertido. É tipo o Sawyer, do Lost. É um tipão – na medida em que homens sujos podem ser -, dá apelidos engraçadinhos para as pessoas, mata se for preciso mas tudo dentro de uma ética pessoal.

E, claro, tem a dama. A belíssima Claudia Cardinale. Com tantos homens tinha que ter uma dama. E tinha que ser linda. E tinha que usar roupas absurdamente acinturadas. E tinha que ser durona para sobreviver no oeste. Mas também ser gentil para despertar cuidados. E, bem, faroeste é mundo real, você já deve saber com quem ela esteve e com quem ela ficou.

E agora que você já sabe disso tudo, assista ao trailer:

Mas voltando a Ennio Morriconi, ele fez a música. Ele sempre fez a música e, para mim, música de western é dele. Mas Era Uma Vez no Oeste, para mim, não é um filme que tem que ser reconhecido pela música e sim pelos silêncios. Assista, preste atenção, veja como o tempo passa mais devagar e como o suspense fica cada vez maior quando enquanto o silêncio permanece lá. Assustador!

Quanto às curiosidades do filme, a mais estarrecedora é de que um dos roteiristas é… Bernado Bertolucci. Sim, sim, O Último Tango em Paris, mas escrevendo faroeste. E mais: replicando em 68 a cena de um filme de 61 de Robert Aldrich.

E, para voltar ao mundo real, houve um dia em que Jason Robards não foi trabalhar e ninguém reclamou: o dia em que Robert F. Kennedy foi assassinado.

Enfim, agora preciso resolver outra falha do meu caráter e ver Era Uma Vez na América.

Momento Mulherzinha pra Caralho
Quando eu via a mulherada em filmes de época com aqueles espartilhos que devem ter pelo menos 45 colchetes cada um, eu me pergunta: e na hora de transar, como faz? Mas agora meus problemas acabaram!!! O Henry Fonda me mostrou como um homem pode desabotoar uma cinta de maneira sexy. Com a volta das calças centro-peito, talvez voltem também essa peça de tortura íntima feminina. Homens: assistam e aprendam como fazer, sim?

Darth Vader, Regina Duarte e pensamentos aleatórios

Não há absolutamente nada que possa ser escrito sobre Star Wars que ainda seja novidade, exceto que o Darth Vader é a grande esperança de atuação para Regina Duarte. Se com aquela máscara e respiração ele consegue passar força, coragem, poder, ambigüidade, contradições de pensamento e até amor, talvez ela também consiga. Mas, claro, vai ter que mudar de diretor, que o Jayme Monjardim não vai dar jeito…

E, pela ludicidade da coisa, divulgo o blog Eu Podia Tá Matando e seu Darth Vader da Semana. Instigante.

Tudo sobre meu novo filme

Hot, hot, hot! Pedro Almodóvar tem um blog para divulgar sua mais recente produção, Los Abrazos Rotos. Como ele não é chinelo como essa que vos escreve, a parada é trilíngüe. Mas enquanto eu escrevo na última flor do Lácio, ele divulga o filme em inglês, francês e, óbvio, espanhol.
Vai lá.
Mas vai com calma: nada de RSS nem de comentários. Mas já é um começo, né?

Update: Ricardo manda link do blog do Fernando Meirelles, feito também para divulgar o mais novo filme, Blindness.
(brasileiro. em português)
Esse foi o recado dele. Com RSS e comentários, essa é minha continuação.
Vai lá também.

O bebê de Roman Polanski e Mia Farrow

Lembro bem das propagandas de O Bebê de Rosemary, filme que só passava na Sessão de Gala e criancinhas não podiam ver. Não pude ver.
Lembro da primeira vez que vi Mia Farrow em A Rosa Púrpura do Cairo e de como achei sua voz irritante.
Lembro, finalmente, da primeira vez que vi O Bebê de Rosemary e de como não causou em mim o terror prometido pelas propagandas da infância.

O Bebê de Rosemary não é um horror vulgar, não tem sangue, nem pessoas morrendo, nem mutilações. Além disso, para atingir sua plenitude, depende da fé do espectador, a conhecimento da religião católica, a crença em Satã, o medo do inferno e o pavor de um possível filho do Demo. Mas se uma mãe não acredita em nada disso, oks, ela vai ficar apavorada também. Enfim, revendo o filme o horror brotou. E juro, juro, juro, que não há uma cena, uma música, uma frase, uma atuação, um quadro, nada, nada, nada, que justifique um remake.

Impressionante é a atuação de Mia Farrow e de sua voz irritante e de sua fragilidade sessentista. Só de pensar que Polanski queria uma atriz mais americana, mais saudável, dá calafrios. Mia é tão perfeita que superei sua voz irritante – tudo nela me lembra Shelley Duvall em O Iluminado. Mas logo depois, no making of, já fiquei com raiva dela de novo. Que fique apenas no filme, Mia! Mas ok, admito que sua voz ficou maravilhosa na canção de ninar que embala o início e o final do filme. Pena o trailer não ter ela de fundo:

O que? Ficou curioso e quer conhecer a música? Oks, um passeio pela vizinhança do Dakota ao som de Mia Farrow:

Quanto a Polanski, bem, é eticamente inaceitável que eu fique dando audiência a um diretor pedófilo. Será que a genialidade pode superar a imoralidade? A educação católica que eu tive e que me deu o medo necessário para entender o filme também me faz sentir culpada nesse caso. Culpada ou não, assisti.

E por falar em educação católica, o que levou uma menina criada por freiras a casar com um pseudo-ator? Ê, vida! Esse ponto ficou fraco, ela não parecia tão apaixonada, nem parecia o tipo de garota que saiu do interior brigada com a família. Mas lá estava ela, em Nova Iorque, com o pseudo-ator, sendo uma boa dona-de-casa mas com um look bem modernete.

Quanto ao prédio, eu prometi não falar nada. Mas vá lá, novas gerações devem ler isso: o Dakota é o prédio onde Polanski filmou O Bebê de Rosemary em 67/68. Em 69 Charles Manson e seus seguidores mataram bem longe dali a mulher de Polanski, a atriz Sharon Tate, grávida de oito meses, ao som de Helter Skelter, música dos Beatles. E em 80, em frente ao Dakota, onde morava, John Lennon foi morto por Mark Chapman. Mais curiosidades? Mia Farrow mora ao lado do Dakota e atualmente Madonna é dona de um dos apartamentos do famoso prédio. Convenhamos, ele é lindo, não? E ainda sobre as fofocas de bastidores, Mia Farrow teve que escolher entre continuar filmando em Nova Iorque ou voltar para os braços do marido, o absolutamente maravilhoso Frank Sinatra. Sinatra dançou.

Acabou que a produção foi indicada a dois Oscar: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante. Só Ruth Gordon levou, e ainda faturou o Globo de Ouro pelo papel da bisbilhoteira/irritante Minnie Castevet. Lembra da velhota? Não? Ensina-me a viver, a fulanda de 80 anos que fez um fulano de 18 apaixonar-se por ela. Então…

Quanto à iconografia, o pôster original, o verde lá em cima, é muito bom. Mas esse polonês, vermelho, que achei na internet, desenhado por Walkuski Wieslaw também é demais. Muito sexy para Mia, certo? Oks, mas amei as cores e as sombras.

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