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Meses negros

Pode ser que você realmente conviva com uma mulher dentro de casa. Pode ser que não. Caso você pertença à segunda opção, você pode estar meio perdido com o que acontece à sua volta em todos os outros ambientes em que esses seres apareçam.

Fato 1: o verão começa em dezembro.
Fato 2: mulheres usam biquínis no verão.
Conseqüência: em agosto, mais tardar setembro, mudanças começam a acontecer no humor feminino.

De repente, o chocolate some, junto com as guloseimas em geral e o bom-humor.
- Bom dia!
E de repente você adoraria uma resposta grosseira no lugar daqueles dois olhos fuzilantes.

Não bastasse isso, no bufê do almoço elas param e ficam olhando tudo, fazendo cálculos mentais. O resultado é sempre várias folhas de alface, alguns tomates e pepinos, um bife e nadica de nada de arroz ou macarrão. E assim você descobre o que é fonte de carboidrato e que isso não é desejável nesse período obscuro, embora tenha sido largamente consumido por todas suas conhecidas nos meses anteriores.

Nada de chocolate, nada de guloseimas, nada de carboidratos e… exercícios? Aquela colega de trabalho usa o almoço para malhar? E volta com dores pelo corpo??? O que diabos justifica isso???
Ah, queridos, isso é uma questão delicada. Nós fazemos isso porque temos noção. Quer dizer, eu gosto de fingir que tenho. Quem me viu usar um biquíni no verão passado viu que a minha noção é vaga e não passa por uma boa olhada no espelho de corpo inteiro.

Mas assim: barriga e celulite são brigas eternas. E contra elas vale tudo, tudo, tudo, tudo. Até passar pelo mais maravilhoso e igualmente cruel efeito colateral: a calça jeans folgada.
Nenhum homem jamais vai saber a alegria que é colocar uma calça jeans e conseguir tirá-la sem abrir o botã0. E nenhum homem jamais vai saber a tristeza que é passar dois meses com ela folgada por saber que isso não dura para sempre e que no inverno seguinte ela vai caber direitinho.

Tudo por um belo biquíni…

Mais cenas da passagem por Sampa

Antes de tudo, resposta ao Dauro: fico na terra da garoa até dia 20. Toda e qualquer cerveja é desejável.

Então, sexta à noite, Devassa. Jardins? Sim, publicitários, lembram? Mas ó: tem uma ruiva espetacular lá, é como eles chamam a Pale Ale. E teve bom papo também, embora eu não tenha falado com metade da mesa. Sobre os previamente anunciados pela minha amiga loura, amei conversar com o Neto, chefe da Gica na Bullet. Adorei também uma pequena chamada Baunilha. O tal duplo da Gica, o Oct, é interessante porém indefinível. Foi uma noite bem acolhedora. Principalmente pelo garçom do balcão, mais um dos meus já nordestinos-amigos-do-coração-em-são-paulo, que fazia o colarinho do tamanho que eu queria, ao contrário do cara que servia a mesa, esse com sotaque paulista mesmo.

Dia de publicitária paulista

Aí a Gica foi me pegar de manhã. “Vamos tomar um café em algum lugar?”. Sim, pensei eu, imaginando o balcão duma padaria, com média com leite e pão com ovo. Meu. Meeeeeeeeeeu. Uma cafeteria na Faria Lima, a Octavio Café, onde o atendente vem se apresentar e dizer bom-dia. Mocaccino e pão com geléia. E vamos para o centrão com as coordenadas da Carmen, a GPS da Gica.
Aí sim, gente pra todo lado, camelô e gritaria. Preços populares e frutas exóticas no Mercadão. Liga para um apê para alugar que eu descobri e correria para a Vila Olímpia. Acabou o momento popular do dia.
Sobe o apê, é isso mesmo. Agora acho que sou corretora de imóveis em Sampa. Tudo depende das cenas dos próximos capítulos. A ficar de olho em Verde Velma.
Dia seguiu com almoço no Ritz, loja da Melissa (vocês não têm noção, juuuuuuuuuro!) e a troca de uma sessão de cinema por mais um café, dessa vez na Nespresso. Sim, eu devo ser a única pessoa em toda a face do Planeta Terra a não sacar que com esse nome era uma loja da Nestlé. E o meu boicote? Miou.
Depois de um dia desses, Gicuxa supercansada me deixou em casa para também dormir. Mas porra. Sábado à noite, sem filhos, em Sampa e eu em casa? Síndrome de fracassada bateu, óbvio. Resolvi chegar num boteco aqui do ladinho, um tal Boleiros – sim, inspirado no filme. Dava pra ir andando, o que era essencial. Além disso, é onde trabalha um dos meus amigos indicadores de caminho. Entrei, ouvi uma banda tocando “fácil” e facilmente saí.
São Paulo é um sucesso.

Momento Mulherzinha pra Caralho:

Sucesso mesmo é a minha nova Melissa, totalmente em sintonia com o Campeche. É esse modelo irresistível, só que em cinza claro, única cor disponível para meus pezinhos 36:

Pequeno diário de férias

Dia 2/7: Sair de férias numa quarta é uma merda. Com mil coisas para arrumar em casa, eu tenho que ficar fora. O motivo: a faxineira que fala demais estava lá. Liberdade total dá nisso: não ter a mínima idéia do que fazer. Depois de passar o dia matando tempo, voltei pra o lar-doce-lar para encontrar quem? A mesma faxineira, que não voltou pra casa dela por conta da greve dos ônibus.

- Mas não te preocupa, eu durmo aqui e amanhã de manhã você me leva em casa quando sair. Essa tv é estranha, né? Só pega Globo. Não pega mesmo band nem SBT? Ah, você vai sair? Se não se importar eu posso ficar no Centro.

Não me importei. Aproveitei e dei uma passada nos pintassilgos antes deles levantarem vôo. Quando me dei conta, eram 3h. Mas oks, eu estou de férias!!!

Dia 3/7: Bom, dormindo tarde não tinha como acordar cedo, né? Tudo bem, só a Cecília não pode perder aula de jeito nenhum. Primeira série é responsa! Isso significa passar a tarde com o Deco. Rá, cinema com pipoca. O resultado talvez você já tenha lido.

Dia 4/7: Gastei boa parte do meu salário de férias em cadeiras e estante. Não dá pra dizer que eu não sou uma menina caseira, certo?

Momento Mulherzinha pra Caralho: visitar a ponta de estoque com a sogra. É sempre tããããão divertido. E me rendeu essas duas belezinhas aí. O xadrez, retrô, ela disse ser uma gracinha. O outro, peep toe, ela disse que é de velha. Quem sabe eu não esteja meio passada mesmo? Dane-se: achei ambos L.I.N.D.O.S.

Não sabe como ir?

Inspire-se na leonina de 37 anos que exibe no blog o jeito que ela vai. E ela sempre vai muito bem, impressionante:


Amou também? Eis o blog!!!

O Malvado Porém Bem-Humorado, O Malvado e O Muito Malvado Mesmo

Pus fim a uma das infindáveis falhas do meu caráter e assisti à Era Uma Vez no Oeste. Em original, no italiano C’era una volta il West. Italiano porque o diretor, Sergio Leone, é italiano. E Sergio Leone, italiano, escreveu e dirigiu clássicos do faroeste americano, sempre magistralmente musicados por Ennio Morriconi.

O filme, claro, conta com homens maus. Alguns muito maus, outros só maus o suficiente. Alguns maus de maneira que você odeie, outros maus mas que cativam sua simpatia. E um desses maus não pisca, não fala, não teme, apenas toca gaita. E o nome dele é Charles Bronson e ele é o cara.

Não, ele não é o cara, desculpe. O cara mesmo é o Henry Fonda, mas ele é mau demais, aí você não consegue torcer muito por ele. Porque você sabe, em bang-bang você tem que torcer por alguém. E agora que eu descobri (obrigada, imdb!) que ele sempre tinha sido o mocinho, ele ficou mais mau ainda.

E entre eles tem outro mau, o Jason Robards, mas ele é divertido. É tipo o Sawyer, do Lost. É um tipão – na medida em que homens sujos podem ser -, dá apelidos engraçadinhos para as pessoas, mata se for preciso mas tudo dentro de uma ética pessoal.

E, claro, tem a dama. A belíssima Claudia Cardinale. Com tantos homens tinha que ter uma dama. E tinha que ser linda. E tinha que usar roupas absurdamente acinturadas. E tinha que ser durona para sobreviver no oeste. Mas também ser gentil para despertar cuidados. E, bem, faroeste é mundo real, você já deve saber com quem ela esteve e com quem ela ficou.

E agora que você já sabe disso tudo, assista ao trailer:

Mas voltando a Ennio Morriconi, ele fez a música. Ele sempre fez a música e, para mim, música de western é dele. Mas Era Uma Vez no Oeste, para mim, não é um filme que tem que ser reconhecido pela música e sim pelos silêncios. Assista, preste atenção, veja como o tempo passa mais devagar e como o suspense fica cada vez maior quando enquanto o silêncio permanece lá. Assustador!

Quanto às curiosidades do filme, a mais estarrecedora é de que um dos roteiristas é… Bernado Bertolucci. Sim, sim, O Último Tango em Paris, mas escrevendo faroeste. E mais: replicando em 68 a cena de um filme de 61 de Robert Aldrich.

E, para voltar ao mundo real, houve um dia em que Jason Robards não foi trabalhar e ninguém reclamou: o dia em que Robert F. Kennedy foi assassinado.

Enfim, agora preciso resolver outra falha do meu caráter e ver Era Uma Vez na América.

Momento Mulherzinha pra Caralho
Quando eu via a mulherada em filmes de época com aqueles espartilhos que devem ter pelo menos 45 colchetes cada um, eu me pergunta: e na hora de transar, como faz? Mas agora meus problemas acabaram!!! O Henry Fonda me mostrou como um homem pode desabotoar uma cinta de maneira sexy. Com a volta das calças centro-peito, talvez voltem também essa peça de tortura íntima feminina. Homens: assistam e aprendam como fazer, sim?

MMC – Momentos Mulherzinha pra Caralho

1 – Descobri o segredo para ter cabelos lindos, maravilhosos, sedosos e com penteado perfeito em Florianópolis: chama-se massa de ar seco.

2 – Se tem uma coisa que deixa uma mulher de (quase) 31 anos muito feliz é ser chamada de gostosa.

Ponto baixo do dia

Três e meia da tarde. O sol castiga quem ousa passar entre seus raios. O segundo dia de adaptação na escolinha me obriga a chegar na empresa nesse horário cachorro. Não há vagas na frente do prédio. Paro o carro a duzentos metros de distância morro abaixo.
Fecho o carro, preparo para subir a ladeira. As pernas se esforçam enquanto o sol chicoteia as costas. Uso uma saia jeans um pouco acima dos joelhos. Uso uma blusa justa, amarelo gema, com decote generoso, porém não exagerado. Por baixo, um sutiã com sustentação extra para deixar os seios um pouco menos deprimidos. Uma sandália de salto anabela e uma bolsa bege arrematam o visual quase-vagaba.
À minha direita há uma construção. Um prédio de oito pavimentos, com pedreiros trabalhando em todos eles, alguns em andaimes do lado de fora. Sigo olhando o chão.
Passo na frente da obra. Nada. Nem um assobio. Nem uma música. Nem um elogio.
Apuro os ouvidos para ouvir o encarregado dizer que eles estão proibidos de fazer gracinhas. Continuo escutando apenas martelos, serrotes, furadeiras e afins. Eles sequer pararam para olhar.
Definitivamente preciso malhar.

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