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Empoeirada

Sei lá, eu gosto de coisas velhas. Revistas velhas, por exemplo. Devorei esse final de semana uma Hype de agosto de 2004. Antiga? Nada. As melhores matérias foram uma lista de álbuns de 1994 e uma entrevista com Morrissey.

Não que eu nunca tivesse percebido isso, mas sim, sou uma velharia ambulante. Ouço bandas antigas, leio livros antigos e vejo filmes que já saíram de cartaz há muito tempo. Acho que a produção cultural é imortal e gosto de dar um tempo, uma distância, para certas coisas. Mas isso faz de mim uma pessoa meio démodé, não?

Bem, tanto faz. Hoje foi um dia horroroso, ontem foi um dia péssimo e eu não tenho muitas esperanças sobre amanhã.

A entrevista com Morrissey está bárbara, quem sabe eu fale dela aqui outra hora. E falando nele, uma homenagem a essa nuvem negra que não me larga:

Tender

Amor à primeira vista. Fulminante. Daqueles que não saem da cabeça em momento algum. Eu durmo pensando nele, acordo pensando nele. Tomo banho, café, almoço, ando no carro… E só dá aquele lamento, aquele riffzinho de guitarra, o afago da bateria.
Pois é, me apaixonei por mais uma “velharia”: Tender, do Blur. Dessa vez foram só nove anos de atraso.

A letra é tão atual, tão mulherzinha-ano-2000-sozinha-e-fingindo-
ser-feliz-com-seus-amigos-gays, que é inadmissível ter sido escrita por um homem. A menos que ele seja o amigo gay, claro. Mas o Damon Albarn é um inglês tão ultra-mega-fofo que eu me recuso a acreditar que ele seja gay – e ninguém disse que é. Já o Grahan Coxon tem cara de ser, no mínimo, bi – mas é tão charmoso saber que ele nasceu na Alemanha quando ela era dividida por um muro. Bem, tanto faz. Ouvindo essa música qualquer mulher de 30 tem vontade de ser feliz para sempre com qualquer um dos dois.

Desde o início, com o violão chorando… A música é tão perfeita que já imaginei ela em várias cenas de filmes. Dos mais realistas, claro, em que a mocinha chora, chora, chora, chora e acaba mal. Não, não adianta ter um coro gospel no fundo, milagres não acontecem, Harry e Sally só teve final feliz porque era década de 80. Fui no IMDB ver quem já tinha tido essa idéia e achei ela em dois filmes dos quais nunca ouvi falar: Southland Tales (que me pareceu uma ma-lu-qui-ce), de 2006 e Virgin Territory, de 2007. O segundo, na real, eu ouvi falar, mas como se trata de uma adaptação do Decameron eu meio que nunca fui atrás. Não sei se mudei de idéia.

Voltando à música, fui no YouTube, claro. O clipe é perfeito, em preto e branco, no melhor estilo música religiosa. Mas a indexação não ficou boa, tem delay entre imagem e som. Aí achei esse ao vivo no Jools Holland e pensei “putz, é uma música de estúdio, ao vivo deve ser uma merda”. Ledo engano:

Bem, acho que ando meio melosa. Tanto faz. Love is the greatest thing!

Faísca atrasada

Minha casa nunca foi musical, nunca tivemos o hábito de ouvir música. Por isso jamais pensei em investir meus trocadinhos de infância (ganhos, e não tenho vergonha disso, à base de vender bananas, chuchu e ovos pela vizinhança) em discos. Por isso, na adolescência, não tinha como conhecer as novidades. Os amigos trocavam LPs e aí sim pintava a vergonha de oferecer os Rolando Boldrin do meu pai. Sendo assim, ficava só no que passava nas rádios.

Passou-se o tempo mas eu ainda não me libertei da inércia musical. Veja bem, eu não sou resistente às novidades, apenas fico no estado que estou. Explicado tudo isso, peço desculpas por só agora conhecer a MARAVILHA que é Amy Winehouse. Ela é louca, ela é maluca, ela é drogada, mas foda-se, quem não é? E mais que isso: quem pode esquecer essa voz e esse olhar?

Ok, eu fui a última a conhecer e, por isso, mando a peça mais pop dela, a música anti-reabilitação, que saiu até no Multishow. Mas YouTube é YouTube e você vai conseguir navegar por outras canções – e outras coisinhas mais.

Primeiro, o clipe excelente, indo do submundo ao quarto de manicômio. Adoro pensar em sapatos: brancos no quarto imundo, verde nas escadas, vermelhos no consultório do psiquiatra e pés descalços na internação:

Agora ao vivo, porque ela é foda mesmo:

E Fuck me pumps, outro clipe maneiríssimo. Será que no final dele ela vai para Rehab?

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