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Wall-E – O dia em que os anos 80 salvaram a Terra

Misture referências cult, anos 80, degradação ambiental, obesidade e uma história de amor improvável em um filme com pouquíssimos diálogos e me diga: qual a chance disso ser um infantil? Pois é, não sei se Wall-E vai agradar a (todas) as crianças, mas os pais vão pirar na historinha.

A sinopse é simples: um robozinho inspirado em E.T. vive apenas com sua barata de estimação (lógico que elas estão lá no final dos tempos…) no planeta Terra limpando toda a sujeira deixada pelos humanos. Estes estão num cruzeiro espacial maneirão, esperando o planeta estar habitável de novo para voltar. Aí uma robozinha inspirada no iMac chega e descobre – segundo dados do sistema – que já é possível retornar. É só? Claro que não, não vou estragar surpresa de ninguém.

Hora do trailer oficial, ao som de Aquarela do Brasil:

Isso tudo, claro, se passa daqui a muitos e muitos anos. Mas e os anos 80? Vai saber porque diabos, mas eles estão lá com o atari, o VHS (!!!), o cubo mágico e o próprio Wall-E. Anos 80 também no merchandising: já na entrada ganhamos um álbum e quatro figurinhas – sim, vou ter que comprar as outras 196.

As referências, claro, não se restringem a essa década. O Wall-E, vejam vocês, é vidradão em Hello, Dolly! Em duas passagens a referência é 2001 – Uma Odisséia no Espaço. E vou dizer que as imagens impressionistas nos créditos finais são um desbunde.

Pausa para o momento “deixa eu mostrar como meu filho é foda”.
“Mãe, olha os girassóis. São do Van Dog, né? Eu gosto mais dele, mas a Cecília gosta mais do Renoir”.
Podemos continuar.

Tá, mas e as crianças normais? Ok, admito, esse caldo todo é superambicioso e tinha grandes chances de dar errado. Mas, caramba, é Pixar!!! E só por isso você já paga para entrar no cinema. Tem cenas bem engraçadas em que os pequenos se esbaldam de rir. Além disso, meio-ambiente está na pauta de discussão de todas as escolas, elas vão ficar sensibilizadas com um planeta negro. E desde Shrek elas estão acostumadas com amores improváveis.

Se a preocupação é a ausência de diálogos, esqueça. Os sons de todas as máquinas e robôs são tão fantásticos que quando um humano fala você até sente desconforto. A concepção visual é bárbara, é uma experiência deliciosa e eu muito recomendo cinema e não só esperar sair em DVD.

Amores Perros

Recentemente fui em uma mostra de arte na qual havia um painel com duas fotos. Na primeira, um mendigo dormia na rua, com as roupas sujas e as calças rasgadas, aparecendo as nádegas. Na outra um cachorro sarnento também dormia na calçada. Perguntei para a minha filha de sete anos de idade com qual dos dois ela se preocupava e ela foi categórica:
- Com o cachorro. Tadinho dele, né mãe?

Antes que a chame de sem coração, pense: de quem você tem pena em Amores Perros – Amores Brutos numa péssima tradução. Dos cachorros sendo atiçados para a rinha ou dos meio-irmãos largados com uma pistola?

A semelhança entre humanos e cães permeia a obra. O cachorro abandonado na rodoviária, o cão de luxo com a perna amputada e, é claro, o cão que acabou transformado em assassino de outros cães. Só que enquanto os bichos não constumam dizer a quem amam e o motivo, apenas demonstram amor incondicional, esses três nos contam suas histórias.

São histórias que se entrecruzam de uma maneira casual – marca do diretor Alejando Gonzáles Iñarritu que foi apresentada nessa sua primeira obra e continuada em 21 Gramas e Babel. Como cenário, um México de diferenças sociais e impunidade, onde um assassino está solto para o velório do irmão, onde empresários são assassinados à luz do dia, onde a televisão mostra a beleza da mulher latina, um encanto. As histórias partem de uma escolha de vida e terminam na conclusão dessa escolha. Histórias que mostram que o amor nem sempre é bom:

Seguro que alguna vez el destino te a cambiado la vida…
Si tu historia acabo bien, exlicalo en el canal de “amores”.

Si acabó mal, explicaló en “perros”

O filme levou Bafta de filme estrangeiro e prêmio da crítica em Cannes. Não levou Oscar nem Globo de Ouro em estrangeiro, era o mesmo ano de O Tigre e o Dragão. Como legado, mostrou Gael García Bernal para o mundo.

Voltando ao cão e ao mendigo, a menos que você não tenha coração, você não se importou com as brigas de cachorro ou com o cãozinho abandonado no buraco.

O Malvado Porém Bem-Humorado, O Malvado e O Muito Malvado Mesmo

Pus fim a uma das infindáveis falhas do meu caráter e assisti à Era Uma Vez no Oeste. Em original, no italiano C’era una volta il West. Italiano porque o diretor, Sergio Leone, é italiano. E Sergio Leone, italiano, escreveu e dirigiu clássicos do faroeste americano, sempre magistralmente musicados por Ennio Morriconi.

O filme, claro, conta com homens maus. Alguns muito maus, outros só maus o suficiente. Alguns maus de maneira que você odeie, outros maus mas que cativam sua simpatia. E um desses maus não pisca, não fala, não teme, apenas toca gaita. E o nome dele é Charles Bronson e ele é o cara.

Não, ele não é o cara, desculpe. O cara mesmo é o Henry Fonda, mas ele é mau demais, aí você não consegue torcer muito por ele. Porque você sabe, em bang-bang você tem que torcer por alguém. E agora que eu descobri (obrigada, imdb!) que ele sempre tinha sido o mocinho, ele ficou mais mau ainda.

E entre eles tem outro mau, o Jason Robards, mas ele é divertido. É tipo o Sawyer, do Lost. É um tipão – na medida em que homens sujos podem ser -, dá apelidos engraçadinhos para as pessoas, mata se for preciso mas tudo dentro de uma ética pessoal.

E, claro, tem a dama. A belíssima Claudia Cardinale. Com tantos homens tinha que ter uma dama. E tinha que ser linda. E tinha que usar roupas absurdamente acinturadas. E tinha que ser durona para sobreviver no oeste. Mas também ser gentil para despertar cuidados. E, bem, faroeste é mundo real, você já deve saber com quem ela esteve e com quem ela ficou.

E agora que você já sabe disso tudo, assista ao trailer:

Mas voltando a Ennio Morriconi, ele fez a música. Ele sempre fez a música e, para mim, música de western é dele. Mas Era Uma Vez no Oeste, para mim, não é um filme que tem que ser reconhecido pela música e sim pelos silêncios. Assista, preste atenção, veja como o tempo passa mais devagar e como o suspense fica cada vez maior quando enquanto o silêncio permanece lá. Assustador!

Quanto às curiosidades do filme, a mais estarrecedora é de que um dos roteiristas é… Bernado Bertolucci. Sim, sim, O Último Tango em Paris, mas escrevendo faroeste. E mais: replicando em 68 a cena de um filme de 61 de Robert Aldrich.

E, para voltar ao mundo real, houve um dia em que Jason Robards não foi trabalhar e ninguém reclamou: o dia em que Robert F. Kennedy foi assassinado.

Enfim, agora preciso resolver outra falha do meu caráter e ver Era Uma Vez na América.

Momento Mulherzinha pra Caralho
Quando eu via a mulherada em filmes de época com aqueles espartilhos que devem ter pelo menos 45 colchetes cada um, eu me pergunta: e na hora de transar, como faz? Mas agora meus problemas acabaram!!! O Henry Fonda me mostrou como um homem pode desabotoar uma cinta de maneira sexy. Com a volta das calças centro-peito, talvez voltem também essa peça de tortura íntima feminina. Homens: assistam e aprendam como fazer, sim?

O bebê de Roman Polanski e Mia Farrow

Lembro bem das propagandas de O Bebê de Rosemary, filme que só passava na Sessão de Gala e criancinhas não podiam ver. Não pude ver.
Lembro da primeira vez que vi Mia Farrow em A Rosa Púrpura do Cairo e de como achei sua voz irritante.
Lembro, finalmente, da primeira vez que vi O Bebê de Rosemary e de como não causou em mim o terror prometido pelas propagandas da infância.

O Bebê de Rosemary não é um horror vulgar, não tem sangue, nem pessoas morrendo, nem mutilações. Além disso, para atingir sua plenitude, depende da fé do espectador, a conhecimento da religião católica, a crença em Satã, o medo do inferno e o pavor de um possível filho do Demo. Mas se uma mãe não acredita em nada disso, oks, ela vai ficar apavorada também. Enfim, revendo o filme o horror brotou. E juro, juro, juro, que não há uma cena, uma música, uma frase, uma atuação, um quadro, nada, nada, nada, que justifique um remake.

Impressionante é a atuação de Mia Farrow e de sua voz irritante e de sua fragilidade sessentista. Só de pensar que Polanski queria uma atriz mais americana, mais saudável, dá calafrios. Mia é tão perfeita que superei sua voz irritante – tudo nela me lembra Shelley Duvall em O Iluminado. Mas logo depois, no making of, já fiquei com raiva dela de novo. Que fique apenas no filme, Mia! Mas ok, admito que sua voz ficou maravilhosa na canção de ninar que embala o início e o final do filme. Pena o trailer não ter ela de fundo:

O que? Ficou curioso e quer conhecer a música? Oks, um passeio pela vizinhança do Dakota ao som de Mia Farrow:

Quanto a Polanski, bem, é eticamente inaceitável que eu fique dando audiência a um diretor pedófilo. Será que a genialidade pode superar a imoralidade? A educação católica que eu tive e que me deu o medo necessário para entender o filme também me faz sentir culpada nesse caso. Culpada ou não, assisti.

E por falar em educação católica, o que levou uma menina criada por freiras a casar com um pseudo-ator? Ê, vida! Esse ponto ficou fraco, ela não parecia tão apaixonada, nem parecia o tipo de garota que saiu do interior brigada com a família. Mas lá estava ela, em Nova Iorque, com o pseudo-ator, sendo uma boa dona-de-casa mas com um look bem modernete.

Quanto ao prédio, eu prometi não falar nada. Mas vá lá, novas gerações devem ler isso: o Dakota é o prédio onde Polanski filmou O Bebê de Rosemary em 67/68. Em 69 Charles Manson e seus seguidores mataram bem longe dali a mulher de Polanski, a atriz Sharon Tate, grávida de oito meses, ao som de Helter Skelter, música dos Beatles. E em 80, em frente ao Dakota, onde morava, John Lennon foi morto por Mark Chapman. Mais curiosidades? Mia Farrow mora ao lado do Dakota e atualmente Madonna é dona de um dos apartamentos do famoso prédio. Convenhamos, ele é lindo, não? E ainda sobre as fofocas de bastidores, Mia Farrow teve que escolher entre continuar filmando em Nova Iorque ou voltar para os braços do marido, o absolutamente maravilhoso Frank Sinatra. Sinatra dançou.

Acabou que a produção foi indicada a dois Oscar: Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Atriz Coadjuvante. Só Ruth Gordon levou, e ainda faturou o Globo de Ouro pelo papel da bisbilhoteira/irritante Minnie Castevet. Lembra da velhota? Não? Ensina-me a viver, a fulanda de 80 anos que fez um fulano de 18 apaixonar-se por ela. Então…

Quanto à iconografia, o pôster original, o verde lá em cima, é muito bom. Mas esse polonês, vermelho, que achei na internet, desenhado por Walkuski Wieslaw também é demais. Muito sexy para Mia, certo? Oks, mas amei as cores e as sombras.

At last! My arm is complete again!

A minha ida ao cinema estava marcada para quinta-feira passada, mas um bater de asas de borboleta na África desencadeou acontecimentos que me impediram. Para completar, no mesmo dia uma quase-tragédia familiar fez com que eu adiasse por mais tempo. Ontem, finalmente, (som de tambores) consegui ver Sweeney Tood, O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.
Ao meu lado, a sogra, aquela que há uns cinco anos afirmou que jamais veria outro filme comigo depois de quase desidratar com Dançando no Escuro. É, brasileiro não desiste nunca porque tem a memória fraca. Já na primeira cena, quando o camaradinha-leite-ninho canta, um grave suspiro vem da cadeira dela: ela não sabia que era musical. No meu outro lado, a companheira de trabalho-balada-cerveja-cigarro Ana. Boa companhia, tirando a hora em que no auge do meu envolvimento com uma cena grotesca ela lasca um “calma, é só catchup”.
Ao que me parece, é inevitável ligar nosso querido barbeiro a Edward Mãos-de-Tesoura, afinal são Johnny Depp, cabelos longos, navalhas e Tim Burton. Mas ainda sustento que o namoradinho da Winona Ryder tinha uma doçura e uma incompreensão de mundo que falta ao Mr. T, o vingativo barbeiro com conceitos pra lá de bem solidificados sobre a alma humana. Se fosse para comparar com outro Depp/Burton eu escolheria a loucura e o sadismo de Willy Wonka, só que numa versão muito, muito, muito sombria.
Aliás, pensei nessa comparação já nos créditos, quando se mostra a Londres de cima e aparece no meio das chaminés cinzas um cilindro com linhas vermelhas e brancas girando (aquilo deve ter um nome próprio, mas eu não faço idéia de qual seja). Aliás, os créditos iniciais me lembram uma Fantástica Fábrica de Chocolate overmacabra. Achei genial que nessa parte foi desenhada toda a sinopse sem precisar de pessoas nem palavras. Tanto que catei no YouTube para mostrar. Enjoy it:

No mais, o filme faz referência a Hitchcock, tanto no quesito musical quanto na técnica narrativa. A cada vez que um elemento novo é inserido na história, você já sabe o que ele vai fazer ou o que será feito com ele. Mas você não sabe como nem quando. E é aí que reside os grandes momentos de tensão e suspense. Só que o sangue que faltou em toda a obra do velho Hitch aparece de sobra no barbeiro. É bom estar preparado.
É bom estar preparado, também, para as músicas. Nem sempre são bonitas, nem sempre são melodiosas e às vezes você suplica para que nem comece. Mas dou o braço a torcer: no quesito musical Johnny Depp não decepciona e Helena Bonham Carter arrasa. Dureza é ouvir os jovenzinhos Jamie Campbell Bower e Jayne Wisener. Ele esteve muito bem no papel de imberbe-tolo-apaixonado e tem um quê andrógino e uma certa estranheza que me faz apostar que aparecerá em outros Burton. Já a loirinha-Julieta-aprisionada não tem nada demais. Saudades de Cristina Ricci e da já citada Winona.
E como não se pode deixar de dizer ainda agora, a estética e o cenário são partes pulsantes na história e isso Tim sabe como comandar. Londres está tão suja, tão sombria, tão demoníaca quanto os sentimentos do barbeiro. Com tudo isso, o filme concorre em três categorias do Oscar: Melhor Ator, Figurino e Direção de Arte.
Ah, e para a Gica, que anda se aventurando pelo mundo das barbas, Mr. T traz um modelo muito bom. Palavras dele: I can guarantee the closest shave you’ll ever know.
O quê? Querem o trailer também???? Ok, aí vai:

Bang-Bang

The Magnificente Seven em ingles, Os Sete Mercenários na legenda, Sete Homens e Um Destino para a maioria dos mortais. Sim senhores, um faroeste de 1960. Escalação? Eli Wallach como bandido, Yul Brynner como líder des seis comparsas Brad Dexter, James Coburn, Horst Buchholz, Robert Vaughn, Charles Bronson e Steve McQueen. Conheceu os últimos três, né? Isso mesmo, o elenco tinha tanta testosterona que achei que minha televisão ia terminar peluda!

A princípio, o filme seria uma adaptação fiel de Os Sete Samurais, de Akira Kurosawa, mas acabou incorporando outros elementos e diálogos. Melhor, ficou um clássico por si só. No Oscar daquele ano outro filme meio faroeste, meio guerra, fez sucesso: Álamo, estréia de John Wayne na direção, teve sete indicações. The Magnifent Seven concorreu apenas ao- embora tenha concorrido ao Oscar apenas por melhor música em filme dramático (tinha ainda melhor música para musical e melhor música original).

Sinopse: sete pistoleiros vão, por um preço irrisório, livrar um povoado pobre do México de um grupo de bandoleiros. Informações interessantes: o povoado é mexicano; os bandoleiros são mexicanos; apenas um dos pistoleiros é mexicano.
Será que os americanos foram porque são bonzinhos? Bem, cada um tem seu motivo, mas o líder proferiu uma frase ótima quando procurado por três moradores do vilarejo: “contratem alguém, homens são mais baratos que armas”.

Depois de duas horas de poeira e várias cenas bárbaras, elejo uma para dica da Suzanne: o sétimo pistoleiro não foi contratado imediatamente porque não era rápido o suficiente; não deixe de notar a maneira que ele pesca.

Além da dica, os clássicos comentários inúteis:
- Como os homens conseguiam usar calças com cós tão alto e tão justas na bunda? Não é à toa que os vaqueiros ficaram com famas de viadinhos…
- Não bastasse a modelagem ridícula, ainda colocam o líder todo de preto, o tempo todo. Ah, sim, era um filme inspirado em samurai… Essa aí era o ninja.
- São raros os faroestes que mulher não aparece fazendo um papel ridículo. Esse não se salva.
- Os mexicanos fazem uma farra do boi diferente: os ecologistas de Santa Catarina deveriam aderir – mas acho que em Governador Celso Ramos não pegava, a menos que o touro fosse um dos ecologistas…
- Os mexicanos são meio malas mesmo, mas nem por isso deixe de tomar uma tequila no final em homenagem a eles. Oportunidade de tomar tequila a gente não deixa passar, né?

A seguir, para dar um gostinho, trailers do filme – eles estão nos extras do DVD, assim como o making-of e comentários.

O primeiro é um trailer bem normalzinho, mas a fonte do título e excelente.

O segundo, diga aí, é genial!!!

E o terceiro é da série Eu Amo o YouTube:

E dá-lhe grana

Fazendo um post no Criançada em homenagem aos 50 anos do Lego eu descobri um trailer bem legal: The Dark Knight em Lego. Fiquei fissurada e doida pra comprar um jogo novo. Mas vocês já viram o preço? Credo!

Em tempo: o trailer original está no post sobre o Heath Leadger.
O trailer com bonequinhos está aí embaixo. Só acho uma pena o cara não querer estragar as pecinhas dele e não ter feito explosões de verdade.
Ah, e eu saí no Volume por conta do post no Criançada. Tô toda, toda.

Overdose para Heath Ledger

Este não é um blog de cinema e eu não planejava falar sobre isso hoje. Na verdade, coincidência das coincidências, ia fazer um post sobre morte. Eis que chego aqui e choque: morre Heath Ledger.

Pois bem, eis que o companheiro de cena de Matt Damon em Irmãos Grimm é encontrado morto. Apesar de ele ter participado de outros filmes à la sessão da tarde (10 coisas que eu odeio em você, Coração de Cavaleiro), e ter participado de um filme mais denso (A Última Ceia) ele é lembrado mesmo pelo vaqueiro gay de O segredo de Brookeback Mountain. Vale esperar para ver se o Coringa de The dark knight vai sobrepor ao papel anterior. I love YouTube:

10 coisas que eu odeio em você:

O segredo de Brookeback Mountain:

The dark knight:

Não tenho muita base para falar sobre a carreira dele ou sobre o grande astro que Hollywood perdeu, mesmo sabendo que ele era um dos mais promissores, mas putz, 28 anos? Morte acidental com soníferos? Gostaria mesmo de saber qual era o grande drama da vida dele.

Não sei se a morte dele teve grande impacto entre adolescentes e fãs, mas nesse aspecto não me parece nem um pouco comparável à overdose de River Phoenix em 1993 aos 23 anos. Novo demais pra saber quem é? Outro loiro fofinho que começou com filme Sessão da Tarde (Conta Comigo), participou de um blockbuster (Indiana Jones e a Última Cruzada), fez um filme punk que marcou a década de 90 (Garotos de Programa) e morreu quando era o centro das atenções. Farei, ainda, uma menção especial a O peso de um passado, em homenagem a Ricardo Tromm. Vale relembrar:

Conta comigo:

Garotos de programa:

Para o Ricardo: O peso de um passado:

When you’re facing a loaded gun, what’s the difference?

Quando Martin Scorsese levou o Oscar de direção e filme por Os Infiltrados eu pensei: lá vai mais um prêmio pela obra que a Academia distribui de vez em quando. Na verdade eu não acreditava que Scorsese tinha feito um filme que podia ganhar o prêmio máximo do cinema comercial. Tudo por conta de um certo preconceito que eu criei ao longo dos anos: sempre disse que me faltavam, literalmente, culhões para gostar dos filmes dele. Explicando, acho que ele faz filmes com temáticas tipicamente masculinas, por exemplo a lealdade entre homens, assuntos que meio que fogem do meu conhecimento. Além disso, os filmes são nova-iorquinos, ficando a meio caminho – geográfico e estético – dos cinemas europeu e hollywoodiano.
Mesmo assim aluguei Os Infiltrados – sim, eu ainda sou daquelas que não baixa filme na internet. E pow! Soco no queixo! Me conquistou do princípio ao fim. Veja o trailer para relembrar:

Filme antigo, de sucesso, todos já sabem a história, todos já devem ter suas opiniões, então apenas alguns apontamentos. Primeiro, sobre o elenco:

- Jack Nicholson nunca, nunca, nunca, nunca deixará de ser Jack Torrance.
- Matt Damon é perfeito para o papel de “eu sou um idiota”, mesmo quando ele é um idiota com sorte e faz você morrer de raiva.
- Leonardo DiCaprio tem a pegada mais sexy que eu já vi no cinema nos últimos anos – eu quero ser a Gisele Bündchen!!!
- A despeito de tudo e de todos, eu amo Mark Wahlberg.

Agora alguns apontamentos sobre o filme e não, eu não estou nem aí se você não viu:

- Amei a gravata e o robe de oncinha do Frank Costello!
- Maravilhoso o contraponto entre a vida de rei do malvado e a vida de cão do bonzinho para cada um entrar no mundo a que não pertence.
- Se o Tarantino usa o sangue de uma forma lúdica, o Scorsese usa o sangue de uma forma chocante.
- Tem que ser muito macho para jogar o Martin Sheen do sexto andar de um prédio – e essa é uma hora em que o sangue choca.
- Duas cenas que eu vou guardar para todo o sempre: a da primeira ligação de celular entre Sullivan/Costigan e a do elevador. A primeira, tensão máxima. A segunda, fator surpresa.
- Adoro filmes em que não sobra ninguém – ou quase ninguém.

Ah, claro, e é impossível não deixar de falar na belíssima, eletrizante e muito bem mandadada trilha sonora. Uma pena que o álbum não traga todas elas.

Update: Eu achava que a última música que toca no trailer aí em cima não estava no álbum, mas está. A Raquel e o Danilo , do Volume, que deram a dica. É Comfortably Numb, do Pink Floyd. I love YouTube:

O que se tira disso tudo? Que vou ter que me render e ver mais filmes de Scorsese para ter certeza que não deixei passar nenhuma outra maravilha.

Em tempo: não sou idiota a ponto de não respeitar ou de minimizar o trabalho dele, apenas ressalto a falta completa de afinidade.

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